DISCURSOS LIBERTÁRIOS: ESCRITORAS AFRO-AMERICANAS
E AFRO-BRASILEIRAS EM FOCO
Maria Aparecida Ferreira de Andrade Salgueiro – UERJ[1]
A presente comunicação visa a abordar temas recorrentes em obras de Autoras de origem africana contemporâneas, particularmente as afro-americanas e as afro-brasileiras. Trabalhar criticamente com autores vivos é sempre complexo. Falta-nos a distância temporal e a visão de conjunto de uma obra ainda em construção. Porém, apesar de penosa, parece-nos que vale a empreitada. Em um mundo que se diz globalizado, vale sempre apontar a diversidade, a riqueza e a unicidade cultural. A compreensão do significado e das conseqüências políticas que vêm sendo atingidas através da Literatura pelo trabalho das escritoras de origem africana, seja nos Estados Unidos, seja – apesar do grau diverso – no Brasil, sob um crescente volume de estudos sobre características e aspectos específicos, ainda carece de estudos de natureza comparatista que possam eventualmente traçar analogias e contrastes, fonte de novos estudos e outras percepções. Compreender melhor a história e a cultura de povos que tiveram, ao longo dos séculos, atuação fundamental na construção de nações de hoje, parece-nos fundamental, não só para a pesquisa, mas principalmente para o esclarecimento na formação de novas gerações. Colaborar com a releitura de um passado, que não volta – é claro – mas que pode, sem dúvida, ser básico para a reconstrução identitária, parece-nos também primordial.
Como embasamento teórico da pesquisa, as teorias dos estudos étnicos, de autores, entre outros, como Frantz Fanon, Homi Bhabha, Edward W. Said e Henry-Louis Gates, Jr., nos vêm ajudando a compreender, analisar e lançar luz sobre a problemática e a perspectiva literária e artística de nossas autoras – objeto de estudo. Além disso, a teoria do Gênero – perspectiva que vem impulsionando a teoria da crítica literária e a compreensão de obras literárias específicas oferece grande contribuição.
São tais estudos – na revisão do cânon, particularmente – que nos possibilitam saber que mulheres afro-americanas vêm produzindo textos literários há muito tempo. Conseqüentemente, é possível conhecer, em escala de projeção cada vez maior, autoras que, nas palavras de Alice Walker, devido a “instintos contrários”, ficaram esquecidas, tais como a poeta Phillis Wheatley, no século XVIII, e autoras como Zora Neale Hurston e Nella Larsen, pertencentes, em nosso século, ao movimento do Harlem Renaissance. No Brasil, em que esse tipo de abordagem também caminha, é possível se chegar a autoras afro-brasileiras como Josephina Álvares de Azevedo, dramaturga no século XIX.
Assim, as questões de gênero – como também as de etnia – não podem ser compreendidas sem sua respectiva inserção no momento histórico das culturas dentro das quais estas questões se manifestam. Para estabelecer tais pressupostos com objetividade e amplitude, buscamos autores francófonos, tais como Frantz Fanon, que, por sua importância teórica na formulação de conceitos sobre etnia e colonialismo tiveram impacto internacional e cujas formulações serviram e servem de pontos de referência para as teorizações subseqüentes. Entre elas encontramos, já mais recentemente, autores com redação em inglês, leitores contemporâneos do supra mencionado, tais como, Edward Said e Homi Bhabha. Além do já citado Henry Louis Gates, Jr.
No caso específico de narrativas afro, como as que estudamos e, em especial, no caso das narrativas afro-americanas, a rediscussão do conceito de nação torna-se fundamental. A “nação” é o epíteto mais usualmente utilizado para expressar autenticidade de locação cultural. No entanto, quem fala em nome da nação? Como se evoca o senso de nacionalidade? Quais são seus limites? De que formas marca decisivamente o estabelecimento do cânon, por exemplo? Quando Toni Morrison, escritora afro-americana, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 1993, lança um livro como Playing in the Dark: whiteness and the literary imagination (MORRISON, 1993), em que, entre outros pontos questiona, a partir de uma breve análise da forma de chegada dos negros à América, o ponto de vista extremamente branco e europeu da História e da Literatura norte-americanas, e busca um novo ponto de vista para ambas, não se está lidando necessariamente com o conceito de nação?
Tais questões são extensamente discutidas na obra organizada por Bhabha em 1990, Nation and Narration, com artigos básicos para a compreensão do problema. A partir de ensaio de sua autoria, em que começa mostrando que, assim como as narrativas, as nações perdem suas origens nos mitos e fatos do tempo e só acontecem plenamente no imaginário (BHABHA, 1993: 1), uma série de articulistas se sucedem ao longo do livro trabalhando esses conceitos em longa tarefa. Na verdade, Bhabha abre e fecha o livro, aprofundando essa questão inicial: são os mitos, fantasias e experiências de diferentes grupos espalhados em diferentes lugares do mundo que vão redesenhando a imagem de nação e sua forma de expressão, a narração. No artigo final trabalha o conceito de “cultura nacional” de Fanon, exaltando sua visão antecipada e sua constante lembrança de que a cultura é rica, ampla, dialética e “odeia a simplificação” (BHABHA, 1993: 303).
O tema seria retomado por Bhabha, em 1994, em obra de sua inteira autoria, The Location of Culture, em que ao partir de uma citação de Martin Heidegger que afirma que “uma fronteira não é propriamente aquilo onde algo termina, mas sim, como os gregos reconheceram, a fronteira é aquilo a partir de onde algo começa a se fazer presente” (BHABHA, 1994: 1), o Autor fala da recorrência em nossa época da apresentação da questão da cultura no reino do “além” – um além que não indica propriamente um novo horizonte, nem um abandonar do passado, mas uma configuração nova, num espaço expresso em um substantivo antecedido pelo controvertido prefixo pós tão utilizado na contemporaneidade, em meio aos cenários e às paisagens dos movimentos migratórios e da diáspora.
Não podemos concluir esta etapa do presente trabalho sem citar Henry-Louis Gates, Jr. Crítico literário renomado nos Estados Unidos, um dos maiores estudiosos a oferecer contribuição pioneira para os hoje reconhecidos, estabelecidos, procurados e conceituados “Afro American Studies” nas universidades dos Estados Unidos, seus estudos serão particularmente úteis no que diz respeito a sua discussão do multiculturalismo.
Em 1979 Gates tornou-se o primeiro negro a se doutorar pela Universidade de Cambridge. Em 1981, ao encontrar em uma livraria de Nova Iorque um volume de Our nig: sketches from the life of a free black de Harriet E. Adams Wilson, provou que o que se supunha ao longo do tempo ser o pseudônimo de um homem era na verdade uma mulher negra e que o livro era o primeiro romance, escrito em 1859, de autoria de um indivíduo negro nos Estados Unidos de que se tem notícia. No início dos anos 90, Gates publicou uma abrangente coleção de escritos afro-americanos, produzidos no período 1829-1940, que totalizavam algo em torno de 12000 contos, 18000 poemas e 42000 resenhas e artigos. Do estudo destes documentos, Gates concluiu que a cultura afro-americana tem suas raízes primárias na própria América, e não na África.
Reconhecendo que o mundo atual é profundamente fragmentado e dividido entre noções de nacionalismo, racismo, sexismo, Gates defende que o único caminho para vencer tais divisões é forjando uma cultura cívica que respeite tanto as diferenças quanto as semelhanças, criada a partir de uma educação que respeite tanto a diversidade quanto o lado comum da cultura humana. Sem compreensão cultural, é impossível se atingir tolerância cultural.
O conceito de cânon segue marcado pela questão político-cultural de forma cerrada. Em um momento histórico em que tanto se fala de globalização, em que os levantes nacionalistas se sucedem, em que a própria noção de nação em seus parâmetros tradicionais é fortemente questionada, não é de se estranhar que o conceito de cânon também o seja. Nos Estados Unidos e no Brasil, por motivos intrínsecos diversos e particulares, mas com um pano de fundo semelhante, já explanadas as razões principais, este final de século presencia o levante de uma grande virada que traz à luz e valoriza, entre outros "adjetivos", as literaturas "de origem afro".
Os grupos se (re)organizam dentro da sociedade, tal quadro é obviamente refletido pela produção cultural, e a literatura se posiciona sob a égide de um novo perfil. Grupos até então considerados sem produção literária começam a apresentá-las, e principalmente, passa-se a conhecer produções anteriores suas até então desconhecidas ou julgadas inexistentes.
Nos Estados Unidos, dentro do quadro de realidade específico, editoras paralelas, impulsionadas pela facilidade trazida pelos editores de textos aos computadores domésticos, começaram a organizar e publicar textos de grupos atuantes no Movimento dos Direitos Civis, de pessoas que, impulsionadas pelo próprio Movimento organizado, tiveram acesso a locais com visibilidade, tais como as universidades, de onde puderam falar e ser ouvidas, publicar mais, passar a editoras conhecidas e até chegar a um Prêmio Nobel de Literatura, tal como foi o caso de Toni Morrison. Além é claro de autoras do porte de Alice Walker ou Maya Angelou.
Escrevendo da perspectiva “mulher” e “negra”, as escritoras de origem africana examinam a individualidade e as relações pessoais como uma forma de compreensão de questões sociais complexas. Analisando dados como racismo e sexismo, institucionalizados não só na sociedade, mas também na própria família e relações íntimas, as referidas autoras focalizam dilemas que atingem a todos, independente de raça ou sexo. No entanto, através da dor e da raiva, valorizam acima de tudo a diferença, muitas vezes expressa em um otimismo construtivo, em que essa aparece como elemento de construção e crescimento.
Principalmente após a concessão do Prêmio Nobel a Toni Morrison, a situação com referência ao cânon no mercado editorial se inverteu de forma significativa, com a busca por parte dos grandes e médios editores mundiais por outros autores e autoras, cujos textos pudessem vir a revelar valor literário e ser traduzidos imediatamente.
Em tempos em que os próprios representantes dos governos ouvem oficialmente o que antes seria impensável e pedem desculpas públicas por "erros do passado", compreende-se que rever os cânones literários é mais um elemento dessa época, que assim revê toda a História literária e seus critérios também, em um momento também extremamente rico e de reflexão para tradutores e todos aqueles envolvidos com a tradução.
Contribuindo para uma revisão dos cânones, seja nos Estados Unidos, seja no Brasil, com graus de reconhecimento, é claro, hoje diversos, as Autoras de origem afro, ao abordar temas que retratam a dura realidade da exclusão e da rejeição, colaboram com sua Arte para o avanço das lutas igualitárias e de reconhecimento social e político das desigualdades neste renovar de séculos, ampliando a discussão de temas cada vez mais recorrentes não só nos discursos identitários da Literatura Norte-Americana contemporânea, mas também da Literatura mundial, incluindo-se aí o Brasil, onde um significativo número de Autoras já alcança renome.
Na verdade, na atualidade observamos um esvaziamento da questão racial e étnica. Trata-se basicamente de uma questão cultural e do tipo de cultura que se criou com os diferentes povos que se aglutinaram e se formaram a partir daí. Trata-se, como já dissemos, de rever noções de nação, cultura, identidade cultural – de conceituar com clareza conceitos considerados fundamentais hoje em dia. Trata-se, hoje, muito mais de uma discussão da exclusão social e econômica e seus reflexos nas manifestações culturais e artísticas dos grupos, fatos muitas vezes abafados e ditos nulos com o nítido intuito de dominação e poder.
Em síntese, é a busca e a valorização da questão cultural que unem todos os discursos de militância negra e anticolonialista, sejam eles formulados em língua francesa, inglesa ou portuguesa, para citar as línguas fonte lidas e apresentadas aqui. A reação ao tratamento dado aos negros em uma cultura branca e as ações coletivas a serem tomadas a partir daí constituem um elo semântico entre os vários discursos.
Passemos à primeira de nossas duas Autoras citadas: Alice Walker. Apesar de um início na literatura não imediatamente reconhecido pela crítica, Walker logo teve seu nome projetado como importante ativista dos Direitos Civis nos anos 60 nos Estados Unidos, e na Literatura, em 1982, como autora de A Cor Púrpura, romance pelo qual recebeu prêmios literários norte-americanos, entre eles o Prêmio Pulitzer e o American Book Award de 1983, e através do qual foi ainda projetada internacionalmente através de um polêmico filme dirigido por Steven Spielberg, e é hoje, pode-se afirmar, uma autora canônica.
Nascida no ano de 1944, na cidade de Eatonton, no estado da Georgia, sul dos Estados Unidos, Alice Walker vive há anos no norte da Califórnia. É poeta, romancista e contista, cuja visão e exposição artístico-literária de aspectos da vida dos habitantes de sua região natal transformaram-na em uma autora norte-americana de primeira linha. Nascida em uma família de “sharecroppers” – arrendatários de fazendas que trocam uma boa parte da produção pelo aluguel – Alice Walker participou ativamente do Movimento dos Direitos Civis dos anos 60. Sua vivência no movimento forneceu subsídios para dois de seus romances – The third life of Grange Copeland (1970) e Meridian (1976), assim como para sua comovente coletânea de contos sobre mulheres negras: In love and trouble (1973).
Alice Walker estabeleceu-se como poeta de rara sensibilidade e poder, grande retratista das emoções das mulheres negras do sul dos Estados Unidos – mulheres sempre oprimidas, mas não vencidas. Amor, novos amantes, aborto, velhos amigos são alguns dos temas recorrentes. Em suas obras, tristeza e dor se alternam com humor provocativo, o que leva o leitor ora ao forte envolvimento, ora ao distanciamento crítico. Sempre combativa contra a discriminação, seja em causas políticas, sociais ou feministas, Alice Walker, no entanto mudou a estratégia de ação: de ativista raivosa dos anos sessenta passou a uma atuação sempre presente, porém mais tranqüila nos anos noventa.
Junto com Alice Walker, as escritoras afro-americanas estabeleceram-se como poetas de rara sensibilidade e poder, grandes retratistas das emoções das mulheres negras do sul e de outras partes dos Estados Unidos.
Enquanto nesse país os estudos afro-americanos ganham e já ocupam espaço definido e, muito provavelmente, irreversível, no Brasil, o mesmo otimismo não pode ser utilizado. Porém, cada vez mais grupos negros se organizam, e a questão curricular começa a ser discutida em diferentes pontos do país, no que diz respeito à inclusão de disciplinas tais como História e Literatura Afro-Brasileiras nos currículos de 2o e 3o graus.
Tema central de obras modernas e contemporâneas, a hoje comum quest for selfhood, traduzindo-se na Afro-América, como vimos, em uma literatura que aponta, em vários sentidos, para uma geração em busca da identidade perdida, encontra-se também na literatura afro-brasileira. Muitos desses itens de resgate e busca também se apresentam nela.
No Brasil, além de grupos de mulheres afro-brasileiras que, cada vez mais, de forma organizada publicam seus escritos, temos, como edição que sobrevive e progride, a publicação sistemática de Cadernos Negros, que desde o início alterna números de poesia com números em prosa, e que muito tem contribuído para a divulgação e a expressão de escritores – homens e mulheres – afro-brasileiros.
No Brasil, dentro de nossa realidade específica, caminhamos relativamente também de forma célere. Revistas, publicações variadas, músicas, produção fonográfica, arte dramática criam aos poucos um ambiente novo de produção especificamente afro-brasileira. Autoras como Conceição Evaristo são cada vez mais requisitadas a apresentar sua produção literária e têm seus textos traduzidos no exterior.
Nosso exemplo brasileiro, Maria da Conceição Evaristo de Brito nasceu em Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, em 1946. Hoje em dia, reside na cidade do Rio de Janeiro, no bairro de Santa Teresa. É professora da rede municipal de ensino, com atuação localizada nos últimos anos no Centro Cultural José Bonifácio, órgão de resgate e divulgação da cultura negra brasileira – e em especial da carioca – da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, onde dá vazão a ação específica dentro do Movimento Negro. No Centro Cultural, entre outras funções, é responsável pela redação dos textos argumentativos, assinados, de folders, cartazes e material de divulgação, em geral, dos nomes ou fatos da cultura negra brasileira, escolhidos para temas de exposições e eventos periódicos.
A escolha de seu nome como exemplo pelo lado brasileiro justifica-se: pela sua atuação profissional/política já descrita; pela sua constância de publicação na série Cadernos Negros desde 1989, não só publicando, mas também divulgando, colaborando; pela divulgação e pela crítica respeitosa que vem recebendo no exterior; pelos convites que lhe vem sendo encaminhados para participar, como palestrante, de encontros e seminários sobre Mulher e Literatura fora do Brasil; e ainda, por seu próprio pensar da questão da literatura negra ou afro-brasileira – adjetivos cuja necessidade, como muitos outros críticos, discute – em dissertação de Mestrado datada de 1996 e intitulada Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade.
A obra literária de Conceição Evaristo, dividida entre poemas e contos publicados, além de um romance inédito, narra sob ótica nitidamente feminina, problemas do cotidiano das mulheres negras, em formato repleto de poesia, e pleno de referências culturais, que buscam momentos fortes de uma cultura que se reconstitui.
Sobre o paralelo com Alice Walker, já nos referimos à dificuldade implícita de se trabalhar com autores vivos e, ainda mais, originários de culturas diversas. Parece-nos nítido, porém, que, do ponto de vista relativo, o aprofundamento da presente pesquisa pode se concretizar com conclusões enriquecedoras para uma discussão presente e rica.
Conceição Evaristo se destaca hoje, junto a nomes como os de Miriam Alves, Geni Guimarães, Sonia Fátima da Conceição e outras, como representante de um movimento feminino com expressão literária que, aqui como nos Estados Unidos – só que com características próprias, locais, é claro – busca resgatar nomes esquecidos pela História literária e instigar o aparecimento de outros, assim como a expressão de emoções há mais de séculos recalcadas, caladas e oprimidas.
Miriam Alves se destaca por sua poesia e ainda por seu belo trabalho de apresentação, coletânea e divulgação na bela antologia poética bilíngüe Enfim nós/Finally us: Escritoras Negras Brasileiras Contemporâneas. Na produção narrativa, destacam-se Geni Guimarães, com seus belos Leite do Peito e A cor da Ternura e ainda Sonia Fátima da Conceição, com Marcas, sonhos e raízes.
Autoras mais de contos, poucos romances, muitos poemas – uma produção sem dúvida de grande riqueza, originalidade e inovação literária. Temos convicção de que o estudo da emergência de uma literatura brasileira de traços africanos trará elementos significativos para a compreensão de traços fundamentais de cultura, dentro de uma perspectiva contemporânea de compreensão étnica.
Os temas da maternidade, da tradição e da identidade são apenas três dos muitos tópicos abordados pelas escritoras afro-brasileiras contemporâneas. Os efeitos de etnia, gênero e classe se fazem evidentes na interpretação desses temas. Os elementos criativos, afirmativos e subversivos expressos em suas obras são formas de resistência, destinadas a combater o racismo e o sexismo.
As escritoras afro-brasileiras, a partir de sua História, dentro de sua luta, retratam a razão e o coração da mulher negra brasileira e se estabelecem com o tempo como referência obrigatória no panorama da literatura contemporânea de seu país. Sempre combativas contra a discriminação, as escritoras afro-americanas e afro-brasileiras adotam específicas e diferentes estratégias de ação em sua luta. No entanto, com recorrentes pontos em comum: em trajetórias próprias, porém céleres e sólidas, que as consolidam e se desdobram no cenário literário, ao, por exemplo, forçar uma rediscussão do cânon, com a utilização da arte da palavra – uma contribuição definitiva para a literatura universal, para o movimento feminista e para a luta dos direitos humanos, seja lá ou cá.
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